O projeto “Novos territórios para o Frevo”, recebe no próximo sábado, 14 de março, o passista e professor de Frevo Laércio Olímpio, nas oficinas de formação de multiplicadores do passo que estão acontecendo no Museu do Cangaço, em Serra Talhada, Sertão de Pernambuco, sob produção cultural de Gil Silva, incentivo do FUNCULTURA/FUNDARPE/Secretaria de Cultura/Governo de Pernambuco.

Laércio é descendente de uma família carnavalesca e amantes do frevo. “O meu avô materno foi porta-estandarte do Clube Misto Bola de Ouro, além de ser também baliza ‘puxante’ do Clube Carnavalesco Empalhadores do Feitosa”, diz ele e acrescenta: “minha avó foi pastora do Bloco Misto Flor da Lira de Recife. Conheci ambos, mas não os vi ativos no carnaval. Porém, a minha mãe, foliã de ‘carteirinha’, nos dias de carnaval arrastava os quatro filhos, sendo eu o ‘caçula’, para o centro do Recife para acompanhar as troças”. Assim nasceu sua paixão pelo frevo e seus passos.

Ele ficava sempre a observar as evoluções de Fernando Zacarias, primeiro e ainda atuante porta estandarte do Clube de Alegorias Galo da Madrugada, do Recife, na troça Abanadores do Arruda e a noite/madrugada no Clube das Pás. “Nesta época presenciei várias vezes o Mestre Nascimento do Passo e sua turma dando vários shows de frevo/dança, principalmente na Praça do Diário, mais conhecida como Quartel General do Frevo”. Comenta e segue: “aproveitando o Mestre lembro um fato acorrido comigo no ano de 1984, pois em pleno carnaval, no largo do Livramento houve um concurso de passos para o público geral, onde eu estava com a minha mãe e uma sobrinha, porém resolvi me juntar aos foliões e cair no passo. Esta atitude me rendeu o primeiro lugar sem eu nem esperar, pois ali estava para apenas frevar”.

O fato narrado pelo passista Laércio foi marcante, já que quem lhe entregou o troféu, foi nada mais nada menos do que o Mestre Nascimento do Passo. “Eu todo acanhado e ainda sem acreditar, fiquei anestesiado”. Recorda o talentoso passista.

Em 2012 Laércio Olímpio conhece os Guerreiros do Passo, grupo que mudaria seu status de atual folião anônimo para folião/passista de “O Frevo”, espetáculo que o grupo apresenta há mais de 10 anos.  –  “Não conhecia o grupo até que por intermédio da Internet achei um vídeo com o espetáculo: O Frevo. Foi amor a primeira vista! Pois enxergava ali o que meu avós, minha mãe e meu tio Zeca me falando como era dançado o frevo na época deles. Não perdi tempo e no dia 21 de janeiro de 2012 corri para a Praça do Hipódromo, reduto do grupo”.

Laércio, amante afamado do frevo foi bem recebido por todos os professores, tendo Gil Silva como um deles. “Confesso que estranhei as aulas, ao ponto de pensar em desistir, mas encorajado a ficar pelos professores, em especial, o saudoso Ricardo Napoleão. Ficava furioso quando Gil me corrigia com a seguinte frase: ‘olha esse braço, passista’”! Menciona.

Foi ficando por ali, e no mês seguinte daquele ano veio o convite para fazer parte do espetáculo O Frevo no Clube Carnavalesco Misto Escuta Levino!… “Não acreditei… e a emoção foi grande. Naquele momento o Guerreiros acabara de quebrar o meu anonimato no frevo. Me tornei um passista técnico com efeito e virtudes. Agreguei esta técnica ao meu estilo folião”. Sentencia.

Ele também participou de um concurso de passo na categoria passista/folião em 2013, “foi uma experiência muito negativa, apesar de ter sido o vice-campeão. Comecei a ser sondado por outros grupos e fui convidado a participar da abertura do carnaval do Recife em 2013, não aceitei. No ano seguinte parte do grupo foi convidado a dedo por Antônio Nóbrega e eu entre eles. No carnaval de 2015, Maestro Spok convida todo o grupo para apresentar o espetáculo O Frevo”. Confessa o passista.

No último dia 18 de fevereiro de 2020, ele foi um dos homenageados na ALEPE… “Pense num orgulho! A vaidade individual e coletiva me tomou. Só em pensar que eu só queria apenas um vídeo com os Guerreiros em 2012 e hoje tenho a honra de ser homenageado na casa do povo, não tem preço!” Comenta.

O professores que já deu oficinas no Paço do Frevo, na Universidade Federal Rural de Pernambuco no Compaz, entre outros lugares, ao ser questionado sobre que espera da terra do xaxado, responde: “Certamente irei encontrar um público já preparado pelo professor Gil Silva. Tenho a convicção que deixarei algo positivo e voltarei com um aprendizado a mais no meu currículo. Levarei saberes que aprendi ao longo da minha vida frevista. Considero-me um tradicionalista aberto para o diálogo, pois tradição não quer dizer mesmice. Porém, pretendo falar dos simbolismos contidos no nosso frevo, ser prático e teórico sobre a dança do frevo e seus desenrolamentos durante mais de cem anos, o que significou e significa o Mestre Nascimento do Passo”. Finaliza.

Por Carlos Silva – Assessor de Comunicação e Imprensa