A menina esforçada, que trilha um caminho de lutas, teve como local de nascimento, a Maternidade Clotilde Solto Maior, em Serra Talhada, Pernambuco – às 18 horas do dia 21 de junho de 1995. Seus pais Adailson Antônio dos Anjos (in memória) e Maria Niciete Silva dos Anjos, alegremente a receberam tal qual presente especial e de singular significado. Ele, um músico apaixonado, e ela, uma artesã dedicada.

Sua escolaridade aconteceu da seguinte forma: Ensino Infantil no Colégio Municipal Cônego Torres, Ensino Fundamental na Escola Estadual Cornélio Soares, Médio, parte no Cornélio, e conclusão em Sorocaba, estado de São Paulo, na escola Dionísio Vieira. “No momento, estou cursando Técnico em Enfermagem pelo CEPEM. Afirma ela e segue… “Por volta dos 12 anos de idade, comecei a participar de torneios de dança na escola, e a tocar em bandas, as quais até o ano de 2016 participei. Durante este tempo, também fiz parte de vários grupos, como quadrilha estilizada, e fui uma das pioneiras no corpo coreográfico da Banda Marcial do Industrial”. Relembra a dançarina com alegria. Ela sempre morou ali, no centro, e próximo à esta conceituada escola. “Na realidade, sou filha de músico, e, quando você é criada nesse meio, fica impossível escolher outro caminho para seguir”. Sentencia e acrescenta: “Participei de muitas oficinas de danças diferentes do cotidiano da nossa região, cursos de teatro, de circo e de artesanato”. Diz a garota, com ares de experiencia.

Ela começou a dançar Xaxado na sua infância; nesta fase passou pelo Grupo Herdeiros, na época coordenado por Ledjan Dantas (Xuxa). “Com o passar do tempo, tive que me afastar por conta que fui embora da cidade (passou três anos morando em São Paulo), quando voltei, comecei a trabalhar. A Fundação com seu Ponto de Cultura me chamava a atenção, mas estava sem tempo para as atividades culturais”. Recorda. Logo que saiu do emprego, voltou às aulas no Ponto de Cultura Cabras de Lampião, através do Grupo Zabelê, coordenado por Edilson Leite na época (hoje este grupo está sob a coordenação de Branca Sousa). “Dessa vez por tempo indeterminado”. Afirma a Dançarina e fala ainda: “entrei em 2016 e tenho muito carinho pelo grupo, pois eu amava fazer parte”.

A frequência dos ensaios/aulas no ‘Zabelê’ despertou nela a curiosidade de cada vez mais conhecer a história do cangaço e, com isso, ficar mais engajada nas atividades da FCCL… Então, como é de praxe, Cleonice Maria, coordenadora do Grupo de Xaxado Cabras de Lampião a convidou para compor o elenco desta trupe que viaja o mundo levando o autêntico Xaxado. No espetáculo, ela representa a cangaceira ARISTÉIA. “Fiz minha estreia no dia 09 de novembro de 2018. Outro Espetáculo que também faço parte, e o Mistura Pernambucana, do qual sou suspeita para falar, pois tenho muito apreço por ele”. Comenta.

“Uma viagem que me marcou bastante até o momento, foi o 1° Festival que participei no Ceará; festival esse magnífico, muito significativo para mim, pela grandiosidade e diversidade do evento. Me ajudou bastante a entender mais esse mundo e me tornar uma dançarina e pessoa melhor… Muito gratificante”. Esclarece e acrescenta: “uma coisa bem legal, é que a dança possibilita o auto conhecimento do nosso corpo. Temos que estar constantemente testando nossa capacidade física, psicológica e nossas limitações… e claro, conhecendo ele cada vez melhor. Por isso é tão importante para a formação de qualquer pessoa”. Pontua.

Peço-lhe uma frase para concluir nossa conversa e ela sem titubear solta: “gosto muito desta: ‘Os que foram pegos dançando, foram julgados insanos pelos que eram incapazes de ouvir a música’. A dança sempre estará no meu coração, por que foi onde ela surgiu em mim”. Finaliza.

Por Carlos Silva – Assessor de Comunicação da FCCL