A filha de Dona Marta Betânia Pereira Gomes Magalhães e do Sr. Renato Pereira Magalhães, tendo como avós maternos, Maria Pereira Gomes e Nelson Gomes Guimarães, e paternos, Maria Rosa de Magalhães e Quintino Alves de Magalhães, nasceu na cidade de Araripina – PE, no dia 22 de dezembro de 2002 às 08h e 55 minutos. “Um tempo depois da minha mãe falecer, vim para Serra Talhada (D. Marta morreu de câncer em 2007), em meados no começo de 2008. Havia completado recentemente cinco anos de idade”. Relata.

Menina aplicada e cursa o Ensino Fundamental I (1ª à 4ª série) na Irnero Ignácio, e o Ensino Fundamental II (5ª à 8ª série) no Colégio Municipal Cônego Torres. Concluirá o Ensino Médio (atualmente no 2° ano) na Escola Estadual Cornélio Soares. Sobre o seu talento para a dança, ela esclarece: “dentro da minha família há algumas pessoas com certa habilidade para desenhar, o que despertou em mim uma curiosidade, e hoje em dia são apenas rabiscos aleatórios em algum momento de frustração, mas é importante citar isso”. E acrescenta: “Minha vida artística relacionada à dança se iniciou através do Colégio Cônego Torres, no Projeto Indígena. Sempre fui uma pessoa muito tímida, e na época em que estudei no Cônego, eu era muito mais”. Relata com um tímido sorriso.

A dançarina deixa claro que foi a partir desse projeto escolar (importante ressaltar a presença das manifestações artísticas na escola, justamente por despertar talentos e gerar o desenvolvimento dos estudantes); sua participação nesta atividade educativa aguçou seu interesse pela dança, uma forma de perder um pouco da sua timidez… “fora a sensação de dançar, que é algo inexplicável. Só sabe quem faz, e quão feliz é por isso! Se quem canta os males espanta, quem dança, se cura”. Afirma ela, Categoricamente.

Estudando no Cônego Torres, ela conhece Eduarda Cardoso, aluna do Ponto de Cultura Cabras de Lampião, a qual lhe convida para ir olhar uma aula/ensaio do Grupo de Danças Gilvan Santos: “fui e me apaixonei. Desde o primeiro ensaio me comprometi a pegar os passos, pesquisar as músicas do espetáculo para conseguir ensaiar a coreografia, fiz minha estreia e participei do grupo por dois anos, e nesse meio tempo me integrei ao Mistura Pernambucana, outro espetáculo do Ponto de Cultura”. Relembra. Além de Eduarda, ela lembra que Diego Adones também foi importante nesta empreitada, logo de sua chegada no Gr. Gilvan Santos, ele lhe ajudou a se integrar e lhe passou alguns passos de Xaxado.

Surge a oportunidade de adentrar ao Grupo de Xaxado Cabras de Lampião, o principal expoente desta dança no país e, por indicação da sua coordenadora, a dançarina Gorete Lima, ela é admitida ao grupo, fazendo sua estreia em novembro de 2018. “Sou muito grata à Gorete por seus ensinamentos, e estimo bastante. É meu exemplo de mulher e artista. E grata também à Cleonice Maria, coreógrafa e produtora do Grupo por me convidar a fazer parte desta família chamada “Cabras de Lampião”. Pondera.

“Participei da oficina de teatro e dança por Izaltino Caetano, do curso ‘Transpondo o Passo’, por Gil Silva, uma especialização em frevo, e também da Oficina do Coco Raízes, da cidade de Arcoverde, em um projeto de intercambio entre o Grupo de Xaxado Cabras de Lampião e Coco Raízes”. Diz a dançarina sobre sua formação e paixão pelas danças populares.

“As primeiras impressões são as que ficam. Minha primeira viagem, que foi no projeto ‘Alpercatas Circulando’, foi a mais marcante. Ainda não havia tido a vivência de viajar em grupo para outros Estados ou muito menos por mais de 01 dia. A dinâmica de estar em conjunto, dormindo no mesmo quarto, dividindo as coisas, a convivência em si de forma mais íntima, o primeiro contato, guardo em minha memória a sensação da novidade”. Comenta entusiasmada a dançarina que parece realmente ter nascido para a arte.

Uma curiosidade sobre a jovem dançarina é que no ano passado, ela se inscreveu para o PGM – Programa Ganhe o Mundo pelo estado de Pernambuco, o qual fornece um curso de inglês, espanhol ou alemão, e a oportunidade de uma prova para intercâmbio em outro país, no período de 3 a 5 meses. “Fiz o curso de Inglês e a prova para intercâmbio, passei e fui selecionada para ir à Nova Zelândia, país para o qual estarei embarcando em meados de fevereiro/março 2020”. Afirma.

 

Para finalizar a nossa conversa, ela relata: “quando o professor Luciano Amorim perguntou durante o Curso ‘Transpondo o Passo’ o que era dança para mim, respondi que era sobrevivência. Certo que há infinitos significados para essa palavra/prática, mas para mim, é a melhor definição que há. Tenho 16 anos, passei por algumas situações desconfortáveis que me marcaram. É de se imaginar o que uma menina de 16 anos possa ter de problemas, além da puberdade, mas falo sem expor com detalhes que há sim”. Pondera com certa comoção e segue: “a dança me ajudou a sobreviver durante uma fase muito difícil da qual carrego sequelas até hoje. A FCCL me proporcionou e me trouxe uma visão de mundo importante, e certa maturidade cultural, boa para se filtrar o que a sociedade nos oferta, e assim, enriquecer a alma do que se pode agregar em conhecimento”. Finaliza a jovem dançarina com uma maturidade singular, apesar da pouca idade.

Por Carlos Silva – Assessor de Comunicação da FCCL