Em 07 de julho 2019 – se vivo fosse, Virgolino Ferreira da Silva, estaria completando 122 anos. Conforme sua certidão de nascimento, ele nasceu no dia 07 de julho de 1897, no Sítio Passagem das Pedras, em Vila Bela, atual Serra Talhada.

Filho de José Ferreira da Silva e Maria Sulena da Purificação, tiveram os seguintes filhos: Antonio Ferreira; Livino Ferreira; Virgolino Ferreira; Virtuosa Ferreira; João Ferreira; Angélica Ferreira; Ezequiel Ferreira; Maria Ferreira; Anália Ferreira.

O primeiro da Lista – Antônio – era meio irmão dos demais.

Dona Maria, antes de contrair matrimônio com José, morava nas proximidades da vila São Francisco e namorava um rapaz da família Nogueira, do qual engravidou. Mas o mesmo, metido a valentão e filho de gente rica, não quis casar-se, deixando a jovem em desolação.

Certo rapaz, das bandas de Triunfo, Pernambuco, trabalhava como tropeiro e tinha a vila como ponto de parada para descanso e recompor as forças da tropa de burros como seu roteiro quando se dirigia em suas andanças para o Ceará, Alagoas e Bahia, e há muito tempo flertava a mesma moça, mas nunca quis se chegar, pelo fato de vê-la comprometida.

Porém, quando soube do acontecido, procurou-a e propôs casamento, assumindo a paternidade da gravidez.

Recebeu de presente do sogro uma faixa de terra – o Sítio Passagem das Pedras – e tiveram o restante dos filhos e filhas.

O terceiro filho – Virgolino – de acordo com sua certidão de nascimento, que se encontra no cartório de registro civil de Tauapiranga (São João do Barro Vermelho, distrito rural de Serra Talhada), no livro n.o 21, Folha 8, nasceu no dia 07 de julho de 1897, uma terça-feira. E, segundo seu batistério, que se encontra na Diocese de Floresta, no livro 13, página 145, n.o 463, consta que ele nasceu em 04 de junho de 1898.

Mais duas filhas tiveram o casal: Maria do Socorro e Maria da Glória. Ambas tiveram morte prematura.

Era costume, naquele tempo, quando as mulheres estavam nos dias de darem à luz, ficarem nas casas dos pais.

Por isso, todos os rebentos nasceram na casa da avó materna, Dona Jacosa, que morava a umas trezentas braças de distância.

Somente com alguns dias, após o resguardo, que durava em torno de trinta dias, era que voltava para casa.

Virgolino, ao nascer, a avó, que a estas alturas tornara-se viúva, agradou-se tanto do neto, que ficou com ele para lhe fazer companhia. Portanto, nasceu e se criou na casa da avó.

Segundo os moradores mais antigos daquelas bandas, a parteira que segurou Virgolino ao nascer e, ao que tudo indica, de todos os rebentos da casa, foi uma senhora chamada Antonia Tonico, moradora da Fazenda Situação.

Em 1905, fez a Primeira Comunhão na Vila São Francisco e em 1912, foi crismado em Floresta.

Como naquela época não havia escolas na região e Virgolino era o mais interessado dos irmãos para aprender a ler e escrever, estudou alguns meses com os professores Domingos Soriano Lopes e Justino Neneu. O primeiro era parente da família pelo lado materno.

A família vivia da agricultura, do criatório de bode e da almocrevia.

Já com dezesseis anos de idade, saía com a burrama do Sítio Passagem das Pedras para Rio Branco, onde comprava, vindos do Recife ou do Sul do estado, caixas de gás, caixas de bebidas Gato Preto, Old Tom, alcolaça, açúcar refinado, arroz branco, roupas e tecido,   bolachas marca “Sertaneja” de Pesqueira – PE. Outras novidades em bugigangas.

Tinha as pessoas certas para entregar esses produtos. No caso de Vila Bella, um deles era Cornélio Soares quem recebia para comercializar. Entregava também para outras cidades, como Belmonte, Ouricuri, Triunfo, Cabrobó, Petrolina e até outros estados, como Alagoas, Paraíba e Ceará. Foi nestas viagens que começou a conhecer palmo a palmo, ponto a ponto do Nordeste, que lhe viria ser útil na futura vida do cangaço.

Ao mesmo tempo, nos dias de feira das cidades, ele vendia produtos fabricados por ele mesmo. Em Vila Bella era muito conhecido quando vinha com seus artefatos de couros confeccionados por suas próprias mãos, com perfeito acabamento e detalhes artísticos: alforge, chibata, colete, gibão, luvas, arreios, cartucheiras, selas, etc. Instalava sua banca ou forrava o chão com esteira ao lado da Igreja do Rosário, onde funcionava a feira livre nos tempos idos.

Virgolino tocava sanfona nas festas da redondeza, escrevia poesias e no repente desafiava os melhores repentistas da ribeira, confeccionava artefatos em couro e madeira, corria vaquejada e pega de boi no mato.

Quando se tratava de trabalhar, era um verdadeiro furacão em tudo que fazia: na roça, na compra e venda de mercadorias que transportava em lombo de burro.

SITIO PASSAGEM DAS PEDRAS

Este é o nome do sítio onde o famoso Virgulino Ferreira da Silva nasceu. Está localizado próximo ao riacho São Domingos, na Serra Vermelha, cidade de Serra Talhada (antiga Villa Bella), em Pernambuco. Um dos mais atrativos pontos de visitação desta cidade sertaneja. Lá o visitante respira história, pois as marcas do passado ainda existem como se sua lembrança tivesse uma motivação especial: O mundo não pode esquecer do lugar onde nasceu uma das figuras mais polêmicas deste país. Se foi Bandido ou Herói? Esta resposta deve ser dada pelo próprio visitante, depois de sentir no corpo o calor abrasador do sertão nordestino e conhecer de perto aquele povo guerreiro que, a cada amanhecer tem apenas a certeza de que está vivo para lutar e pelejar por mais um dia. São guerreiros, todos os nordestinos que vivem com a seca e a falta de assistência à sua volta. São os guerreiros do sol. Agende sua visita para caminhar “nas pegadas de Lampião”.

Contato: Museu do Cangaço: (87) 3831 3860.

Anildomá Willans de Souza

(Pesquisador e Escritor do Cangaço).