Emanuel Messias de Carvalho Santos é filho da Professora Maria José de Carvalho e de Gilvan Severino dos Santos (falecido em 2003), um dos maiores expoentes da arte popular em Serra Talhada, nas décadas de 1980 e 1990. O moço nascido em 21 de novembro de 1994 – parece ter herdado os dons artísticos do pai: é maestro, musico (toca vários instrumentos e canta), compositor, ator, dançarino, contador de histórias, poeta cordelista, arte-educador, desenhista, declamador, dentre outros atributos artísticos, que o ‘cabra’ possui desde muito pequeno. Na companhia do pai e ou dos tios e tias, também artistas, o menino já se mostrava arteiro e cheio de talentos.

A sua trajetória é longa apesar de sua idade; ainda bem criança (aos seis anos), fez parte das atividades culturais do PROPAC – Projeto Piloto de Ação Comunitária sob a coordenação de seu pai, a seguir com Modesto de Barros à frente, e, em 2005, sob a batuta deste que vos escreve (Carlos Silva), a música também surge na infância. Atua na peça “Dor de Dente Nunca Mais”, Escrito e dirigido por mim, recital da obra de Patativa do Assaré; faz Curso de Pintura e adentra, a seguir, no Centro Dramático Pajeú, onde protagonizou ao lado de sua irmã Gilvânia Santos – um clássico infantil da Escritora Maria Clara Machado; O “Rapto das Cebolinhas” (2006); “Nordestino é Gente”, de autoria de Gilvan Santos (o pai famoso).

Sua chegada ao Grupo de Xaxado Cabras de Lampião se fez ainda, no ano de 2006. “fiz minha estreia na cidade de Monteiro, na Paraíba, e algum tempo depois, por razões pessoais, tive que me afastar do grupo, empenhando-se nesse período no mundo da música instrumental, dentre outros afazeres. O retorno às atividades da Fundação Cultural Cabras de Lampião, aconteceu em 2017 com a reestreia na cidade de Triunfo-PE”. Relata o jovem artista.

Ora, ele atua no Espetáculo “O Massacre de Angico – A Morte de Lampião”; integra o elenco do Grupo de Xaxado Cabras de Lampião, interpretando Lampião, coincidência ou não, fazia o cangaceiro Corisco e agora, representa o Capitão Virgolino (personagem de seu pai por quase nove anos); coordena no Ponto de Cultura Cabras de Lampião o Grupo Infantil – Herdeiros do Xaxado, dentre outras funções. Sua história é realmente marcada pela herança do seu talentoso pai, que deixou um legado cultural bastante extenso no município e o qual é exemplo para quem o conheceu e/ou trabalhou com ele.

Hoje o menino, homem feito, presta serviços à Secretaria de Desenvolvimento Social e Cidadania, locado no Centro de Referencia do Idoso – CRI, até o ano passado, realizava atividades na APAE do município e segue suas atividades na FCCL se apresentando por todo canto do Brasil, e, no ano, viajou com o Grupo para o México para uma série de apresentações no Festival Latino-Americano de Folclore – 2019.

“O que mais me marcou dentro da fundação, foi quando recebi a responsabilidade de assumir o papel que outrora foi vivido por meu amado pai e meu primo Karl Marx com muito esmero; a emoção em fazer parte deste legado, muito me encanta e continua a me emocionar, sempre que eu me visto da personagem”. Comenta e acrescenta: “em São Paulo, eu pude sentir com intensidade a responsabilidade em representar o rei do Cangaço e o povo sertanejo. A cultura popular é meu oxigênio, é nela que me identifico. Penso que todos deveriam ter a liberdade… A liberdade de escolher o que lhe faz bem, não basta caminhar, é preciso lutar para que a caminhada valha a pena no fim do percurso”. Argumenta ele finalizando a nossa conversa.

Por Carlos Silva – Assessor de Comunicação da FCCL