“Quando eu tinha quatro anos de vida, minha mãe ficou sabendo que iriam dar início a um grupo de Xaxado para crianças a partir de cinco anos. Bom, meu irmão tinha essa idade, mas não era o meu caso, então não poderia entrar. Mas depois de algumas conversas, acabei participando das aulas”. Assim, ela começa a nossa conversa.

Sua mãe, Srª. Sheila – queria que eles entrassem em um grupo cultural, e essa era a oportunidade perfeita. “Minha primeira professora foi Leidjan Dantas, conhecida como Xuxa, pela qual tenho o maior carinho, respeito e admiração, afinal, foi ela quem me fez enxergar o quão maravilhoso é a cultura. No segundo dia de ensaio do grupo, eu entrei. Tinha poucas crianças, no entanto, depois o grupo cresceu. Algumas, como eu e meu irmão Wesley, continuaram, outras saíram. Hoje, entendo que era um fluxo natural”. Diz.

A menina Duda, que nasceu dia 29 de julho de 2003, é grata aos professores que a ajudaram a chegar onde, atualmente, se encontra: Gorete Lima, Leidjan (Xuxa), Branca e Diego Adones. Sua primeira apresentação do grupo Herdeiros do Xaxado foi com o Pastoril. Para ela, uma das melhores apresentações. “Era o dia do meu aniversário, não me lembro do ano… (risos), foi a primeira apresentação de Xaxado do Grupo Herdeiros e do nosso Pastoril, e foi naquele dia a minha primeira vez no palco, se apresentando para um público. Senti que isso era a minha grande paixão, e bem, estou aqui até hoje, agora, como dançarina do Grupo de Xaxado Cabras de Lampião”. Relembra.

“Já fiz tantas oficinas e cursos que nem lembro mais… (risos), fiz duas com a Cia Etc., oficina de teatro, oficinas de coco de roda, samba de coco, coco de umbigada, iniciei uma oficina de frevo, mas tive problemas pessoais e não consegui terminar”. Recorda.

Por ter entrado ainda durante a infância, nas atividades do Ponto de Cultura Cabras de Lampião, ela sempre vislumbrou fazer parte do Grupo de Xaxado principal, e assim aconteceu. Do Gr. Herdeiros, ela foi para o Gr. de Danças Gilvan Santos, no qual ampliou seus conhecimentos com a arte-Educadora e coreografa Gorete Lima. “Isso me ajudou bastante, e depois de uns três anos no grupo Gilvan, fui chamada para integrar o Gr. de Xaxado Cabras de Lampião. Comecei a ensaiar, e, no dia 11 de fevereiro de 2017, aconteceu minha estreia”. Relata com entusiasmo.

“Aconteceram várias viagens marcantes. Algumas, a gente se divertia mais do que nas outras, e como passei por três grupos da fundação, e ainda fiz a estreia do grupo de Xaxado as Belas da Vila, não tem como eu escolher uma só viagem que marcou, no entanto, a minha primeira turnê com os Herdeiros do Xaxado… se bem que a gente ficou uns dois ou três dias, foi para Triunfo, e até autógrafo, as crianças estavam pedindo… (Risos). Ficamos em uma pousada que o pessoal contava muitas histórias assustadoras. Durante a noite, todos nós ficávamos na janela conversando uns com os outros para espantar o medo”… (risos). Conta a meiga e falante dançarina.

“A melhor viagem, sem dúvida, foi a turnê para o estado de São Paulo; (junho 2019) foi recente… (risos). Eu morro de medo de altura, e tive que entrar em três aviões, dois para ir, um para voltar, mas superei o medo com a ajuda de minha segunda mãe: Cleonice Maria que, claro, eu não poderia deixar de mencionar. Essas duas turnês foram viagens bem marcantes”. Comenta a menina.

Peço-lhe uma frase para finalizar a nossa conversa. Muito falante e cheia de palavras, ela diz: “Bom… apesar de tudo e de todos, nunca deixe de fazer aquilo que você mais ama e que tanto lutou para conseguir”. E acrescenta: “Alguns fatos sobre mim, eu encontrei na dança, maneiras de me expressar, de esquecer o mundo e me acalmar. Teve um tempo em que precisei morar fora, e acabei deixando o grupo. Passei uns cinco meses e não aguentei ficar lá pelo simples fato de precisar do palco. Às vezes, tenho a impressão de que não vou conseguir fazer algo, pelo simples fato da doença que tenho (anemia), mas tento dar o meu melhor sempre”. Desabafa.

Ela fala com prazer sobre dançar: “quando danço, eu me liberto. Considero desperdiçado todos os dias que não dancei. A dança me inspira liberdade. Faço sem me preocupar com julgamentos, onde não existe ódio, onde ela me dá um sentido para viver nesse mundo tão louco. Onde tudo que nos ocorre leva a angústia. A dança faz parte da minha vida. É nela que eu encontro um sentindo pra seguir em frente e curar as mazelas que surgem no dia a dia da gente”. Finaliza.

Por Carlos Silva – Assessor de Comunicação da FCCL