A Fundação Cultural Cabras de Lampião em um ato de ousadia, mandou fazer e instalou no Museu do Cangaço as Estátuas de Zabelê, Lampião e Maria Bonita, que estão amostra desde 24 de julho de 2019 na estação do forró, local onde funciona o Museu do Cangaço.

Zabelê – O verdadeiro nome do cangaceiro Zabelê, era Isaias Vieira dos Santos. Nasceu em Vila Bela, atual Serra Talhada, e viveu na fazenda Xique-Xique. Como coiteiro, prestou serviços ao bando de Lampião por um bom tempo. O ano era 1925 quando Isaias estava entregando comida aos cangaceiros e de repente, começou um tiroteio entre a volante e o grupo de cangaceiros. Isaias recebeu uma arma para ajudar a enfrentar essa batalha. Foi a partir desse momento que o mesmo não viu outra alternativa e decidiu se juntar ao cangaço, passando então a se chamar Zabelê. Seu tempo como cangaceiro durou pouco mais de um ano. Entretanto, participou de grandes combates ao lado do rei do cangaço. Uma delas foi a grande batalha de Serra Grande.

Seus parentes aconselharam que ele se entregasse à polícia. Acreditava ser solto imediatamente, após se entregar por livre e espontânea vontade, não foi solto de imediato, como pensavam. No ano de 1927, acabou pegando noventa anos de prisão. Todavia, foi posto em liberdade quinze anos depois. Há boatos de que Zabelê foi solto após seu filho, conhecido como Neco Véio, sair gritando em direção à comitiva governamental para que Agamenon Magalhães, governador de Pernambuco naquela época, soltasse o seu pai.

Maria Bonita – Por volta dos anos 30, entrou para o cangaço e para a história, a primeira mulher. Maria Gomes de Oliveira, mais conhecida hoje como Maria Bonita. A baiana tinha apenas 19 anos de idade quando se tornou cangaceira e mulher de capitão, tido como rei do cangaço que a muito carecia de uma rainha. A partir de então, outras mulheres começaram a se unir ao grupo de bandoleiros. Foi com o líder dos cangaceiros, Virgulino Ferreira da Silva, que Maria viveu um romance, e por isso, teve também um certo poder de liderança. Juntos, tiveram uma filha, a qual deram o nome de Expedita. Antes de se juntar a Lampião, Maria Bonita foi casada com Zé de Neném. Se sentia insatisfeita com esse casamento e não chegaram a ter filhos. Ela nunca escondeu o seu fascínio por Virgulino. Fugiria com ele na primeira oportunidade, e foi exatamente isso o que aconteceu, ficando oito anos juntos, até serem mortos em 1938.

Lampião – Virgulino Ferreira da Silva é um dos nomes mais famosos da história brasileira. Um nordestino que ganhou fama por todo o país. Lampião, como se tornou conhecido, nasceu em Serra Talhada, que antigamente era denominada Vila Bela. Nessa época, as brigas por causa de terras eram algo comum. Sua família disputava essas questões com famílias locais e se envolveram em sérias confusões. Por isso, viviam sempre se mudando. Seu pai, José Ferreira, acaba sendo morto pela polícia alagoana em 1920. Foi a partir desse momento que e ele e seus irmãos decidiram, jurando vingança se tornar cangaceiros, entrando no bando de ‘Sinhô Pereira’. Tornou-se líder do grupo em 1922. Lampião teve esse apelido pelo potencial do seu rifle, e por sua grande habilidade com as armas de fogo, que por ele manuseadas iluminavam a noite.

Por Carlos Silva – Assessor de comunicação da FCCL

Foto: Franklin Gomes