Nascida em 06 de setembro de 1981, na casa de saúde Clotilde Souto Maior em Serra Talhada, a menina cheia de vida vai crescendo e cursa os primeiros anos do ensino fundamental na Escola Solidônio Leite e a seguir na escola Manoel Pereira Lins, concluindo o ensino médio (magistério) no Colégio Municipal Cônego Torres, em 1998.

“Durante toda minha formação escolar sempre estive engajada em atividades artísticas, produzindo, dançando, atuando, mesmo sem nenhum conhecimento prévio, intuitivamente, já tinha uma desenvoltura diferenciada. Foi durante o ensino médio, numa montagem teatral escolar que eu tive a certeza da carreira profissional que eu queria seguir”.  Diz.

Na sequência, ela relata que vieram muitos desafios. “Eu sabia que teria que estudar muito, queria fazer faculdade de Artes Cênicas, me especializar como atriz e dançarina; aprender sobre as mais variadas formas de expressão artística.  Para tanto, eu teria que mudar para Recife e esse foi o primeiro grande desafio”. Afirma.

Vinda de família humilde, tendo estudado sempre em escola pública e com quase nenhum recurso financeiro, ela ouvia das pessoas que carreira artística não era para ela. No entanto, estava decidida. “Fácil não seria, mas sempre acreditei que a arte era o meu caminho e fui atrás. Completa.

A serra-talhadense, foi embora para Recife aos 20 anos, com dinheiro suficiente para ficar 2 meses e neste tempo, já tinha conseguido um trabalho para se manter, iniciado seu primeiro curso de teatro e gravado a primeira participação no cinema, no filme LISBELA E O PRISIONEIRO (2002). 

Decidida e cheia de energia, estuda em casa nas horas vagas e consegue entrar para a Universidade Federal de Pernambuco no Curso de Artes Cênicas.  Durante a sua formação acadêmica, aprofunda os estudos através de pesquisas e laboratórios cênicos, dentro e fora da universidade. “Tive acesso a cursos gratuitos de formação de atores com grandes mestres do teatro nacional e internacional, como: Antunes Filho, Antonio Abujamra, Iben Nagel Rasmussen, Eugenio Barba, entre outros”. Relembra.

No mesmo período, foi atriz voluntária no Hospital das Clínicas onde ficou por 2 anos dentro do projeto MAIS (Manifestações Artísticas Integradas a Saúde). “Eu sempre soube o poder da arte e a sua importante função social, mas devo grande parte dessa tomada de consciência à minha experiência dentro da Escola Municipal de Artes João Pernambuco, única escola municipal de artes do Nordeste com quatro linguagens artísticas: Artes Plásticas, Teatro, Dança e Música”. Afirma a artista.

A escola é inclusiva e atende toda região metropolitana do recife e agrega estudantes de todas as classes sociais, idades, gêneros e etnias. “Lá integrei o Laboratório de Aprofundamento Cênico por 5 anos como atriz e tive a minha primeira experiência como professora de teatro. Aprendi como a arte é capaz de transformar, de reinserir pessoas na sociedade e ampliar os horizontes de cidadãos marginalizados. Arte é luz para a sociedade”. Afirma.

Durante sua formação acadêmica foi percebendo as dificuldades de se produzir arte no país, fez intercâmbios pelo Nordeste, participou de congressos, pesquisas, demonstrações técnicas e conheceu grandes montagens e trabalhos realizados pelo Brasil. “A falta de recursos e investimentos no setor é uma grande barreira que enfrentamos todos os dias, mas resistimos e produzimos”. Diz e acrescenta: “Me formei na UFPE em 2009 e dei continuidade ao desenvolvimento de uma metodologia de treinamento técnico-corpóreo-vocal para o processo criativo explorando também as danças populares de Pernambuco, a dança – teatro e a dança flamenca como ponto de partida”.

Em 2009 com a montagem de “A SAMBADA DO BOI DE CHUVA”, vence o Prêmio Myriam Muniz de incentivo ao teatro e participa do Projeto de Residência Artística da Cia de Dança Deborah Colker (coreógrafa de projeção internacional) em 2016, na cidade do Recife. “Minha primeira experiência com o Flamenco foi como atriz e bailaora no espetáculo “SONETO DE LUNA CLARA” em 2013, dirigido por Karina Leiro. Participei como bailaora da ópera “CARMEN” de Bizet, com direção geral do Maestro Wendell Kettle em 2018 e estarei em Cartaz novamente nos dias 22, 23 e 24 de agosto de 2019, com meu grupo – CUADRO FLAMENCO, no Teatro de Santa Isabel, em Recife”. Relembra.

Além da carreira de Atriz e dançarina, fez pós-graduação em Gestão e Produção Cultural e cursou atuação para TV e Cinema no Rio de Janeiro e em Recife, em seguida Cinema Digital e Dança Flamenca e esteve no elenco e na equipe de produção de filmes de curta-metragem, videoclipes e espetáculos de teatro e dança. Em janeiro de 2019, finalizou um projeto independente de cinema e produziu o curta-metragem ENTRE PORTAS. “Para 2019/2020 estou trabalhando no projeto do filme “ATRAVÉS DAS CHAMAS” que conta a história de imigrantes ciganos espanhóis no sertão de Pernambuco, no final do século XIX, nele assino o roteiro e a produção”. Adianta ela.

A atriz está no elenco do espetáculo O MASSACRE DE ANGICO desde 2013. “Fui ver um ensaio e, de repente, já estava no elenco de apoio. Em 2014 assumi a personagem Cangaceira Dulce e agora já são 7 anos fazendo parte desse espetáculo. Quando soube da estreia em 2012, vibrei de orgulho e satisfação. Minha terra natal mostrando sua riqueza cultural e artística, meus conterrâneos fazendo valer seu talento e competência. Um presente para Serra Talhada”! Afirma com entusiasmo.

“É emocionante para mim, acompanhar o desenvolvimento cultural de Serra Talhada. Ver pessoas tão comprometidas com a arte, pois isso reflete diretamente na nossa sociedade e em como ela é vista lá fora”. Reflete ela e acrescenta: “Amo estar no elenco do Massacre de Angico. Tem um sabor especial. É minha gente, minha terra, minha cultura. Venho com muita satisfação todos os anos e aprendo bastante com meus colegas. A formação de um artista é inconclusa, a gente sempre tem muito a aprender, muito a ensinar, muito a estudar”. Adverte.

Ela torce para que a educação, a arte e a cultura sejam cada vez mais acessíveis, mais inclusivas, para que muitos outros possam ter oportunidades de ter uma formação gratuita e de qualidade. “É um direito nosso, mas vejo pessoas aceitando retrocessos e abrindo mão de direitos indispensáveis à cidadania. Nós merecemos o melhor. Temos que acreditar em nós, no nosso potencial e correr atrás. Não é fácil, mas a gente pode e deve ousar”!

Com 17 anos dedicados à arte e todas as experiências vividas, ela ainda acredita que está só começando. “Há muito por vir e eu sigo meu caminho na certeza de novas possibilidades. Afinal, já dizia Fernando Pessoa: ‘Tudo vale a pena se a alma não é pequena’”. Finaliza.

Por Carlos Silva – Assessor de Comunicação da FCCL